Como tudo começou.
Somos o Augusto e a Patrícia. Fazemos cerâmica à mão, numa sala da nossa casa, com dois cães a ver.


Começou com um saco de barro e a vontade de fazer alguma coisa com as mãos, ao fim do dia.
O primeiro copo saiu torto. O segundo também. Guardámos os dois, e percebemos que era precisamente isso que queríamos fazer: peças que não saem iguais.

O estúdio é uma sala da nossa casa. Tem uma estante de metal, tábuas a secar encostadas à parede, uma mesa com toalha aos quadrados e os aventais pendurados na porta.
O Messi e a Safira têm lá o seu canto. Não ajudam nada, mas não perdem uma fornada.

As frases nasceram das conversas lá de casa. «Calma, ainda não acordei!» é o que se diz antes do primeiro café. «Alexa, lava a loiça» é o que se diz depois do jantar.
Carimbamos cada letra à mão, com o barro ainda mole. Hoje há frases nossas e frases que os clientes nos mandam.

Um dia contámos, e éramos mil a seguir a Kaolin. Celebrámos com uma fotografia do estúdio e um obrigado.
Cada pessoa que leva uma peça para casa faz parte disto. É por isso que continuamos a embrulhar cada encomenda em papel de seda.
E agora, as peças têm nomes de flores.
Camélia, Magnólia, Amor-Perfeito e Alecrim. Continuam a sair tortas, e continuam a passar todas pelas nossas mãos.